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Campanha Abril Azul: inclusão acadêmica e autismo

Atualizado: 30 de abr. de 2021


No mês de abril, tem-se em pauta a conscientização sobre o autismo (transtorno do espectro autista), condição de saúde relacionada com dificuldades de comunicação e socialização.


Para a campanha desse mês, a EngSol trouxe vários conteúdos a respeito no Instagram, sobre capacitismo, depoimento familiar e agora acreditamos ser importante falarmos sobre a inclusão de autistas na sociedade.


Para isso, conversamos com a Juliana do @juju_autexto que escreveu um texto ótimo sobre o assunto, está lá no feed do Instagram (não deixem de conferir) e com o Paulo do @papaiautista, autista e pai de um menino autista. Paulo é especialista em docência e neuropsicopedagogia e formado em filosofia e teologia e contou para a EngSol um pouco sobre inclusão acadêmica, mais especificamente na situação que ele vivenciou na faculdade.


Confiram seu depoimento abaixo:


Em ambos os cursos que fiz, Teologia e Filosofia, não sabia que era autista. Enfrentei muitas dificuldades com as minhas deficiências, contudo, considero que tive, o que chamo de inclusão indireta. Minhas dificuldades sensoriais estavam lá, a depressão, o cansaço excessivo, o estresse com mais facilidade, as crises (meltdown, shutdown), a fragilidade física, a confusão mental, o distúrbio do sono, dentre outros.


No primeiro curso, pude morar na instituição e trabalhar usando meu hiperfoco na área de computadores (conserto, webdesign, design gráfico) para pagar meus estudos. Os professores e líderes da instituição de ensino compreendiam quando eu precisava me retirar por alguma fragilidade e até me ajudavam a cuidar de minha saúde mental conseguindo consultas para mim. Chamo de inclusão porque eu não tinha nenhum privilégio, eu não era alguém importante ou de família importante, mas que demonstrava necessidade de cuidados. Mas, eles precisavam de meus serviços e isso eu fazia muito bem. Os professores também entendiam quando, por exemplo, não conseguia entregar algum trabalho, afinal, eu era um aluno muito dedicado; muitos professores me ajudaram a desenvolver minha comunicação e interação, o que alguns perceberam que eu tinha dificuldade.


Na segunda faculdade, uma instituição federal, a UFG, considero que o próprio modelo da instituição facilitou essa inclusão indireta, pois existem vários mecanismos e direitos que auxiliam o estudante com alguma dificuldade de saúde física, mental ou emocional. O próprio tempo para concluir o curso já é muito bom, são até sete anos. Eu, porém, levei nove anos para concluir e, mesmo jubilado me deram a oportunidade de entrar com um processo interno e justificar os motivos de ainda não ter me formado e me liberaram para continuar. Tive dificuldades com o estilo de aula de alguns professores e com os horários, mas trancava a disciplina e esperava um outro professor ser colocado na mesma. Houve três professores na área da licenciatura em filosofia que me ajudaram muito, conversavam comigo, me ajudavam e diziam que deveria continuar sempre o curso e procurar meus direitos e recursos.


Todo semestre, algo muito importante, era repassado todos os direitos dos alunos pela coordenação e tudo estava sempre bem claro no site e nos manuais, isso me ajudou muito. Me formei e também não participei da formatura, pois não me sentia bem para isso, simplesmente me liberaram sem qualquer obrigação de colação especial.


Pode ser que, com ajuda em minha condição autista específica eu poderia até ter me formado em menos tempo no curso de filosofia, mas considero que me senti incluído hoje que sei que sou autista.


Se quiserem saber mais sobre inclusão e sobre o autismo, acompanhe os posts da campanha de abril nas redes sociais da engsol e os perfis do Instagram da @juju_autexto e @papaiautista, que trazem diversos conteúdos cobre o assunto.


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